sexta-feira, 9 de junho de 2017

Pesquisa mostra que produtos orgânicos são consumidos por 15% da população


Cerca de 15% da população urbana consumiu algum produto orgânico nos últimos dois meses, segundo pesquisa divulgada hoje (7) pelo Conselho Brasileiro de Produção Orgânica e Sustentável (Organis). A maior procura por este tipo de produto (34%) está na Região Sul, que ultrapassa o dobro do consumo nacional. Os dados foram divulgados no primeiro dia da 13ª Feira Internacional de Produtos Orgânicos e Agroecologia (Bio Brazil Fair), que vai até domingo (11), na Bienal do Ibirapuera, na capital paulista.
“Precisávamos ter o perfil por região, com consumo, costumes e percepção do consumidor de orgânicos. Essa pesquisa ajudará nas estratégias comerciais dos produtores, empresas e varejistas. Se há cerca de 600 feiras orgânicas mapeadas no Brasil e, a cada ano, o crescimento do setor chega em 20%, temos um potencial de aumento do consumo”, disse Ming Liu, diretor executivo do Organis.
Os produtos orgânicos mais consumidos são verduras, legumes e frutas. Seis em cada dez consumidores consomem verduras orgânicas. Os legumes e as frutas são escolhas de uma em cada quatro pessoas. Entra as outras opções disponíveis ao consumidor de orgânicos estão produtos como carnes, chocolates, sucos, leites, laticínios, biscoitos, shampoos, sabonetes e tecidos.

Orgânico
Para ter o selo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que reconhece como produto orgânico é necessário seguir alguns critérios, como ter certificação por organismos credenciados pelo ministério, sendo dispensado da certificação os produzidos por agricultores familiares que fazem parte de organizações de controle social cadastradas no Mapa.
Pela legislação, considera-se produto orgânico, seja ele in natura ou processado, aquele que é obtido em um sistema orgânico de produção agropecuária ou oriundo de processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local.
Consumo
Entre os motivos apresentados na pesquisa para o consumo neste segmento, os entrevistados citaram questões relacionadas à saúde. A associação entre alimentos orgânicos e saúde foi citada por seis em cada dez pessoas (64%). Indicações de consumo da mídia e de profissionais da saúde também se destacaram, chegando a 15% das pessoas.
“Existe um grande interesse dos consumidores, os empreendedores e empresários estão visualizando essa oportunidade e a feira [Bio Brazil Fair] é um indicativo de que tem mais produtos disponíveis no mercado”, disse Liu. No entanto, ele ressalta que é importante a conscientização dos consumidores sobre as características dos orgânicos e sobre a regulamentação.
O varejo convencional é o principal local de compra dos produtos orgânicos. Cerca de 60% das pessoas vão até os supermercados e aproximadamente 25% compram em feiras. No entanto, o mercado de orgânicos tem ainda lojas especializadas em produtos naturais, compra direto com o produtor e os clubes de compras coletivas, que são ainda uma promessa, na avaliação do Organis.
Marcas
A pesquisa chegou à conclusão que, para os consumidores, não há uma marca associada de forma sólida ao mercado de produtos orgânicos no país, porque 84% dos entrevistados não souberam citar uma marca específica. “Para nós o que foi uma surpresa é que desses 15% [de pessoas que consumiram orgânicos], 85% não lembraram da marca do produto que consumiram. Então eles não fidelizaram ainda com uma marca”, disse Lui.
Segundo a entidade, existe uma grande disposição para consumir mais produtos orgânicos, mas o preço foi citado como o maior limitador para o aumento do consumo. A falta de preços acessíveis foi citada por 62% dos entrevistados como impeditivo. A falta de lugares próximos foi a segunda causa mais citada (32%), seguida por falta de conhecimento (11%). Apesar de haver um movimento crescente para o consumo de orgânicos, 25% das pessoas não estão interessadas em mudar o hábito de consumo convencional.
Feita pela Market Analisys, a pesquisa entrevistou 905 consumidores de orgânicos, sendo adultos com idades entre 18 e 69 anos, de São Paulo, de Rio de Janeiro, de Salvador, de Belo Horizonte, de Brasília, de Curitiba, do Recife, de Porto Alegre e de Goiânia.
Por Camila Boehm, da Agência Brasil



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O livro com a peça teatral Irena Sendler, minha Irena:


A história registra as ações de um grande herói, o espião e membro do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, Oskar Schindler, que salvou cerca de 1.200 judeus durante o genocídio perpetrado pelos nazistas. O industrial alemão empregava os judeus em suas fábricas de esmaltes e munições, localizadas na Polónia e na, então, Tchecoslováquia.   

Irena Sendler, utilizando-se, tão somente, de sua posição profissional – assistente social do Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia – e se valendo de muita coragem, criatividade e altruísmo, conseguiu salvar mais de 2.500 crianças judias.

"O Anjo do Gueto de Varsóvia", como ficou conhecida Irena Sendlerowa, conseguiu salvar milhares de vidas ao convencer famílias cristãs polonesas a esconder, abrigando em seus lares, os pequeninos cujo pecado capital – sob a ótica do führer – consistia em serem filhos de pais judeus.

Período: 2ª Guerra Mundial, Polônia ocupada pela Alemanha nazista. A ideologia de extrema-direita que sistematizou o racismo científico e levou o antissemitismo ao extremo com a Solução Final, implementava a eliminação dos judeus do continente europeu.

A guerra desencadeada pelos nazistas – a maior deflagração do planeta – mobilizou 100 milhões de militares, provocando a maior carnificina já experimentada pela humanidade, entre 50 e 70 milhões de mortes, incluindo a barbárie absoluta, o Holocausto, o genocídio, o assassinato em massa de 6 milhões de judeus.

Este é o contexto que inspirou o autor a escrever a peça teatral “Irena Sendler, minha Irena”.

Para dar sustentação à trama dramática, Antônio Carlos mergulhou fundo na pesquisa histórica, promovendo a vasta investigação que conferiu à peça um realismo que inquieta, suscitando reflexões sobre as razões que levam o homem a entranhar tão exageradamente no infesto, no sinistro, no maléfico. Por outro lado, como se desanuviando o anverso da mesma moeda, destaca personagens da vida real como Irena Sendler, seres que, mesmo diante das adversidades, da brutalidade mais atroz, invariavelmente optam pelo altruísmo, pela caridade, pela luz.

É quando o autor interage a realidade à ficção que desponta o rico e insólito universo com personagens intensos – de complexa construção psicológica - maquinações ardilosas, intrigas e conspirações maquiavélicas, complôs e subterfúgios delineados para brindar o leitor – não com a catarse, o êxtase, o enlevo – e sim com a reflexão crítica e a oxigenação do pensamento.
Dividida em oito atos, a peça traz à tona o processo de desumanização construído pelas diferentes correntes políticas. Sob o regime nazista, Irena Sandler foi presa e torturada – só não executada porque conseguiu fugir. O término da guerra, em 1945, que deveria levar à liberdade, lancinou o “Anjo do Gueto” com novas violências, novas intolerâncias, novas repressões. Um novo autoritarismo dominava a Polônia e o leste Europeu. Tão obscuro e cruel quanto o de Hitler, Heydrich, Goebbels, Hess e Menguele, surgia o sistema que prometia a sociedade igualitária, sem classes sociais, assentada na propriedade comum dos meios de produção. Como a fascista, a ditadura comunista, também, planejava erigir o novo homem, o novo mundo. Além de continuar perseguindo Irena, apagou-a dos livros e da historiografia oficial, situação que só cessaria com o debacle do império vermelho e a ascensão da democracia, na Polônia, em 1989.


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