quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Roubado há 31 anos, quadro de Willem de Kooning é recuperado nos EUA

EFE / Cortesia da Universidade do Arizona

Um quadro desaparecido do pintor holandês Willem de Kooning foi recuperada 31 anos depois de ser roubada do Museu de Arte da Universidade do Arizona.
A instituição informou nesta sexta-feira que especialistas terminaram nesta semana de verificar a autenticidade da obra "Woman-Ochre" (Mulher Ocre), um quadro abstrato do pintor, que nasceu em Roterdã, na Holanda.
A obra tinha sido roubada do museu da universidade em 29 de novembro de 1985. Há poucos meses, ela foi exibida em uma loja de antiguidades em Silver City, no Novo México.
De acordo com a Universidade do Arizona, o dono da loja que adquiriu a pintura roubada, David van Auker, desconhecia o valor do quadro, possivelmente superior a US$ 100 milhões. Ele também não sabia que ele tinha sido roubado da instituição.
Após adquirir o obra em um "feirão" de móveis e quadros de uma casa à venda, o antiquário começou a ouvir comentários entre os clientes da sua loja, que o perguntavam se aquela era uma obra original de De Kooning. Um deles, inclusive, chegou a oferecer US$ 20 mil para levá-la.
Ao pesquisar na internet, ele descobriu que o quadro tinha sido roubado há mais de três décadas da Universidade do Arizona.
"Só quis devolvê-la ao museu, não quero dinheiro", disse Auker, segundo um comunicado da instituição.
De Kooning é considerado um dos maiores representantes do expressionismo abstrato e da Escola de Nova York, cidade para onde mudou quando era jovem e onde morreu em 1997.
"É um grande dia para a Universidade do Arizona e uma grande notícia para o mundo da arte", disse o reitor da instituição, Robert Robbins, que agradeceu Auker e o chamou de "herói" por ter devolvido a pintura ao seu "legítimo lar".
EFE


O livro
A propaganda - através dos meios de comunicação de massa - exerce uma forte influência sobre as sociedades modernas, impulsionando formas sub-reptícias de dominação política e, em nível do espaço urbano, embalando uma das mais perversas enfermidades sociais, o consumismo.
Sob o ponto de vista econômico, o consumo é um dos componentes que alavancam o desenvolvimento na medida em que, dentre outras características, estimula a produção, a inovação tecnológica, a concorrência, a geração de emprego e renda. Mas aqui, trata-se do consumo sustentável.
O problema é quando este componente - o consumismo - assume ares e contornos de onipotente divindade, deidade progressista, baluarte da plena satisfação e da conquista da cidadania. É quando as pessoas passam a comprar por comprar, consumir por consumir, ignorando as reais necessidades, desdenhando as prioridades individuais, familiares e sociais.  
 Este contexto torna-se mais grave quando, sobretudo, a televisão bombardeia diuturnamente os pirralhos com propagandas que vendem, num simples shampoo, numa boneca de silicone, ou num vídeo game de aventura e combate, a felicidade, a redenção, a glória, o nirvana.
É este contexto que move a trama retratada por Eu compro, tu compras, ele compra, o 2º livro da "Coleção estórias maravilhosas para aprender se divertindo", conjunto de 10 peças teatrais infantis e infanto-juvenis completas.
As personagens - envoltas em atribulações, apuros e traquinagens - lidam com vendedores inescrupulosos, discutem como se livrar de assédios e relações comerciais desniveladas, como invalidar contratos com cláusulas abusivas, e, fundamentalmente, refletem criticamente sobre a importância da conscientização, da organização e da atuação junto aos órgãos de defesa do consumidor.
Ornamentando a encenação e a narrativa, a criatividade e a recreação, com muita alegria e diversão.

São 10 peças teatrais completas, direcionadas ao público infanto-juvenil:
· Livro 1 – A onça e a capivara ou Não é melhor saber dividir?
· Livro 3 – A cigarra e as formiguinhas
· Livro 4 – A lebre e a tartaruga
· Livro 5 – O galo e a raposa
· Livro 6 – Todas as cores são legais
· Livro 7 – Verde que te quero verde
· Livro 8 – Como é bom ser diferente
· Livro 9 – O bruxo Esculfield do Castelo de Chamberleim
· Livro 10 – Quem vai querer a nova escola.
O teatro e a dramaturgia - ao contrário das demais ramificações da literatura – transcendem o mero prazer, regalo e deleite da leitura bem como os aspectos educativos e pedagógicos intrínsecos às letras.
É isto que o leitor perceberá tão logo adentre as páginas dos livros que compõem a "Coleção estórias maravilhosas para aprender se divertindo".
A leitura dos livros e a reflexão sobre os seus conteúdos poderão remeter o leitor a um universo só possibilitado pelo teatro.
Não por acaso, esta arte milenar tem sido cultuada por todos os povos, do ocidente e do oriente, desde muitos séculos antes de Cristo. De tão importante, os antigos egípcios e gregos chegaram a vincular o teatro aos rituais destinados a homenagear suas divindades e entes sagrados.
A dramaturgia e o teatro continuam mantendo as características que os tornaram imprescindíveis na antiguidade clássica: o auxilio para vencer a timidez e desenvolver a autoestima; o aprimoramento da oratória e da dicção; a aprendizagem quanto à impostação de voz, a postura, a presença cênica; os predicados da argumentação lógica e da reflexão crítica; insumos que, sem dúvidas, qualificam a participação, o que – convenhamos – não é pouca coisa num ambiente social obliterado pela mediocridade.
Preferencialmente destinada às crianças e à juventude, os livros atendem a todas as faixas etárias, dos pequenos que ainda engatinham na pré-escola e no ensino fundamental, aos jovens de ideias e propósitos que já romperam a terceira idade.
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terça-feira, 15 de agosto de 2017

O coronel e o juízo final


O livro
Nesta comédia teatral infantil são abordadas cinco das mais destacadas lendas do folclore brasileiro: 
•Pai do Mato
•Negro D’água
•Diabinho da Garrafa
•Arranca Língua e
•Onça da Mão Torta.
Explorando o imaginário popular resultante da história e formação do povo brasileiro, o autor discorre sobre a trajetória de um prefeito que se alia ao império das trevas para obter fortuna e infernizar a vida da população.
Interesses populares, alianças políticas, corrupção e gestão catastrófica são discutidos de forma aberta e aguda, estimulando a reflexão crítica à luz de muito humor e diversão.

A Coleção Educação, Teatro & Folclore: 
A maior coleção interagindo educação, teatro e folclore já lançada no país. São dez volumes abordando 19 lendas do folclore brasileiro.

Veja os livros que compõem a Coleção:

•Vol. 1 – O coronel e o juízo final
•Vol. 2 - A noite do terror
•Vol. 3 - Lobisomem – O lobo que era homem
•Vol. 4 - Cobra Honorato
•Vol. 5 - A Mula sem cabeça
•Vol. 6 - Iara, a mãe d’água
•Vol. 7 - Caipora
•Vol. 8 - O Negrinho Pastoreiro
•Vol. 9 - Romãozinho, o fogo fátuo
•Vol. 10 - Saci Pererê

São dez comédias para o público infanto-juvenil, onde a cultura popular do país é retratada através de uma dramaturgia densa mas, ao mesmo tempo, hilariante, alegre e divertida.
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TRT/BA vai contratar professores para ensinar magistrados a caminhar e correr



O escárnio no trato do dinheiro público não deveria causar surpresa. Mas às vezes há uma turma que beira o ridículo.
O TRT da 5ª Região, com sede em Salvador, acaba de abrir uma licitação "para a contratação de uma empresa com experiência para assessorar magistrados e servidores em aulas de corridas e caminhada".
Ah, suas excelências pretendem participar de uma corrida e caminhada ecológica, de acordo com o edital PE 51/17 — e precisam de auxílio especializado para aprender a andar e correr...
Os interessados têm até o dia 22 para entregar suas propostas.

Por Lauro Lardim, em O Globo

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A picareta política e o buraco das contas


A receita pública é uma grande pizza retalhada em benefício de quem deveria fiscalizar, racionar e racionalizar o uso do dinheiro pago pelo contribuinte
É preciso olhar para o jogo feio dos políticos e para o desarranjo das instituições, a começar pela muito louvada Constituição cidadã, para entender o buraco das contas públicas nacionais. Esse buraco é cavado principalmente com a picareta política. Esqueçam, por enquanto, os inocentes manuais de finanças públicas e de macroeconomia. Revejam o noticiário da semana. Centrão cobra cargos e ameaça travar Previdência foi a manchete do Estadão na quinta-feira.
Não se trata de apoiar ou deixar de apoiar por ideologia, fidelidade a um mandato ou opinião a respeito de um tema particular. Há quem negue a existência de um déficit previdenciário, assim como há, até nos Estados Unidos, quem negue a chegada à Lua e outras façanhas do programa espacial. Há quem critique a pauta de reformas como ameaça a direitos fundamentais. Mas para boa parte dos congressistas a votação de projetos polêmicos é principalmente uma ocasião de negócio com o detentor da caneta mágica dos favores. Isso, no entanto, é só um detalhe, especialmente desagradável, no quadro geral de um amplo desarranjo político. Esse desarranjo envolve tanto o Legislativo quanto o Judiciário e a Procuradoria-Geral da República, uma entidade com ares de quarto Poder, embora a palavra “Poder” só apareça, no texto constitucional, na denominação de três grandes órgãos do Estado.
Em democracias tradicionais, o equilíbrio das finanças públicas é considerado um assunto de todos os Poderes. A importância atribuída à gestão mais ou menos austera do orçamento público diferencia os principais partidos, mas nenhum renuncia à responsabilidade pelo estado das contas fiscais. O mais comum, no Brasil, é agir como se o Executivo fosse o único responsável pelo resultado contábil da execução orçamentária e, portanto, pela saúde financeira do Estado.
A independência dos Poderes é com frequência confundida com autonomia fiscal, embora o Tesouro seja único e a Receita Federal seja responsável pela maior parte da arrecadação. Há poucos dias, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram renunciar a um aumento salarial obviamente excessivo nas condições econômicas de hoje. Mas a decisão foi tomada por 8 votos a 3, sem unanimidade, portanto, a respeito do assunto.
A demonstração de austeridade foi obviamente um esforço para evitar um desgaste de imagem. Como os salários de ministros do STF são o teto do funcionalismo, os procuradores da República tiveram de abandonar a proposta orçamentária com previsão de aumento de 16,38%. A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público protestou, em nota, manifestando “profunda frustração” diante da decisão do STF. A avaliação da Suprema Corte, segundo o texto, “é equivocada e coloca sobre as costas das categorias o peso da crise instalada no País”.
A preocupação com o uso austero e eficiente do dinheiro público tem sido muito raramente demonstrada pelos chefes dos vários escalões do Judiciário, tanto na União quanto nos Estados. Isso é comprovado tanto pelas pretensões salariais quanto pelas mordomias, como o número de carros com placas especiais para uso oficial ou privado. Penduricalhos de remuneração, como auxílio-moradia, igualmente encarecem a função judicial e, em muitos casos, a legislativa. Detalhes patéticos, como o debate sobre o auxílio-paletó, têm aparecido na imprensa, mas a maior parte dos custos injustificáveis – como as enormes verbas de gabinete pagas aos parlamentares federais – tem sido raramente contestada.
A receita pública, em todos os níveis de governo, é uma grande pizza retalhada em primeiro lugar em benefício de quem deveria fiscalizar, racionar e racionalizar o uso do dinheiro pago pelo contribuinte. A proposta do indecente fundo de campanha, na paródia de reforma política encenada no Congresso, adicionará R$ 3,6 bilhões à conta da espoliação do Tesouro. Essa conta já inclui o fundo partidário, outra obscenidade. Partidos são legalmente definidos como entes privados. Não se justifica subvencioná-los, apenas por serem partidos, com dinheiro público.
Mas a racionalização da despesa é dificultada também pela rigidez orçamentária. Essa rigidez decorre, em primeiro lugar, de regras constitucionais. Os constituintes fixaram porcentuais de receita para aplicação compulsória em educação e saúde. A intenção pode ter sido boa, mas a vinculação de verbas é uma estupidez. Prioridades podem mudar. Também podem ser diferentes, ao mesmo tempo, em diferentes Estados e municípios. Além disso, verba garantida para despesa obrigatória facilita a negligência na elaboração de planos e programas, estimula o desperdício e abre espaço à bandalheira. Se o gasto é compulsório, será preciso completá-lo, a cada ano, mesmo sem objetivos bem definidos. Nesse caso, tanto faz destiná-lo à reforma desnecessária de uma escola quanto aplicá-lo num equipamento superfaturado ou usá-lo, numa hipótese melhor, para um bônus a professores (isso também já ocorreu).
Sem cuidar dessas questões, o ajuste das contas públicas será sempre insuficiente e frágil. O reparo fiscal deve incluir, necessariamente, a reestruturação do Orçamento, para torná-lo mais flexível e possibilitar a racionalização da despesa. Boa saúde e boa educação serão obtidas com planos e programas bem construídos e bem executados. Vinculações demagógicas e irrealistas poderão enganar ingênuos e desinformados e facilitarão malandragens.
Tem-se falado muito, e com bons fundamentos, sobre a reforma da Previdência como indispensável à arrumação das finanças públicas. Mas é preciso pensar também na reforma orçamentária e na montagem de uma administração pública mais ágil, mais profissional, menos sujeita a indicações político-partidárias e, portanto, mais eficiente. Seria muito mais fácil a solução se o desafio fosse técnico. Mas o problema é em primeiro lugar político e seu histórico é assustador.

Por Rolf Kuntz, no Estadão


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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Venezuela e Turquia: estúpidas ditaduras!



Meus queridos, o título é meu, apenas para expressar a indignação com insanos carreiristas, asininos messianistas, tacanhos que, de forma torpe e criminosa, existem para golpear a democracia e infernizar a vida dos povos...

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EFE/REMKO DE WAAL


Tribunal ordena prisão preventiva de produtor de filme sobre golpe na Turquia
Um tribunal de Istambul decretou nesta quarta-feira a prisão preventiva de Ali Avci, um produtor cinematográfico que estava prestes a lançar um filme inspirado no fracassado golpe militar do ano passado na Turquia, segundo informou o jornal "Sabah".
Avci tinha sido detido há uma semana por suspeitas de vínculos com a confraria do pregador Fethullah Gülen, a quem o governo turco responsabiliza pela tentativa de golpe.
A procuradoria o acusa agora de delitos "encaminhados a estabelecer um grupo armado", assegurou o "Sabah".
Avci estava produzindo o filme "Uyanis" ("Despertar"), que recriava o golpe de Estado, supostamente para enaltecer a resistência popular contra o levante.
Segundo se desprende de um trecho do filme divulgado na internet, a produção recria o golpe com eventos que não aconteceram, incluindo bombardeios de mesquitas e massacres com armas automáticas dentro do que foi retratado como sendo palácio presidencial.
O trecho termina com um geral colocando uma pistola na cabeça do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enquanto este está rezando, algo que nunca ocorreu.
Esta cena suscitou numerosos protestos nas redes sociais por parte de aliados do presidente, que a consideravam humilhante para o chefe de Estado.

 EFE

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domingo, 13 de agosto de 2017

Matthew Willman, o fotógrafo do Mandela mais íntimo

Imagem cedida pela Fundação Nelson Mandela na qual aperecem ícone da luta contro o apartheid, Nelson Mandela (esq.), o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton (dir.) e o fotógrafo Matthew Willman (centro). EFE
Durante dez anos, a partir de 2003, o jovem Matthew Willman fotografou inúmeras vezes Nelson Mandela para a fundação que tem o nome do líder sul-africano, e são dele muitas das imagens mais emblemáticas dos últimos anos da vida do histórico presidente da África do Sul, como a de suas mãos que ilustrou, em 2006, uma campanha global contra a Aids.
O fotógrafo publicou suas fotos em seis livros, e seus retratos protagonizaram inúmeras exposições sobre o pai da democracia sul-africana. Além disso, foi o autor dos registros pelos quais o mundo conheceu um Mandela mais cativante e que promoveu, já nos últimos anos de vida, várias causas sociais sem deixar de representar a aposta pela justiça que sempre o caracterizou.
"Acredito que estas imagens têm um papel importante na promoção de seu legado, de valores como a paz, a reconciliação, a esperança", disse Willman, que começou a fazer aos 24 anos um trabalho paradoxalmente inédito sobre uma figura tão importante.
"Antes de eu começar a trabalhar com a fundação, só havia imagens jornalísticas de Mandela, de renomados fotógrafos que fizeram grandes retratos, mas meu trabalho era o de criar memória e elaborar um material através do qual Mandela pudesse falar após sua vida", acrescentou, em entrevista à Agência Efe.
Willman destacou que não tinha pontos de referência para o trabalho, "porque ninguém tinha se encarregado de algo parecido antes".
"Não estava preso ao que o mundo via em Mandela, foi assim que criei a minha própria história", contou ele, que ressaltou sua inexperiência como fator que contribuiu para a originalidade com a qual retratou o líder.
Além do olhar pacífico de quem um dia foi o guerrilheiro de aparência feroz mais temido da África do Sul branca, Willman encontrou um aliado inestimável em suas mãos.
"De repente, ele me disse: olhe essas mãos! Essas mãos grandes, maravilhosas, as mãos que abraçaram o inimigo, as que não puderam tocar sua mulher durante 27 anos, as mãos que agarraram as barras frias das celas de Robben Island", lembrou.
E foi assim que as mãos de Mandela ganharam o valor icônico que terão para sempre.
Apesar de sua pouca experiência como fotógrafo, o rapaz que começou a fazer fotos de Mandela sabia mais sobre o retratado do que todos os profissionais o registravam há anos.
Willman o viu pela primeira vez quando tinha 15 anos, pouco após a morte de sua mãe, quando foi estudar em um colégio interno. Foi durante um ato na cidade de Durban.
"A cerca de cem metros de onde eu estava, um homem subiu no palco. Não sabia quase nada sobre ele, mas vi imediatamente a figura de um avô, alguém a quem querer bem, com quem se identificar", disse.
Aquela sensação reconfortante em um momento difícil fez Willman seguir os passos de Mandela. Durante 18 meses, viveu na prisão de Robben Island, onde 'Madiba' passou 18 anos, acampou nos povoados de sua infância e conheceu o entorno e a cultura de onde vinha.
"Demorei nove anos e meio para apertar a mão desse homem", contou Willman.
"Quando você está longe de alguém e finalmente consegue se aproximar após dez anos, você procura intimidade, como em qualquer relação, quer que seja real, e todos os anos que passei nos povoados, em todas as partes, me deram um conhecimento profundo de quem era o homem", frisou.
Seu foco no Mandela relaxado da vida privada, frente ao dramatismo jornalístico das imagens públicas, tem a ver com um dos grandes atrativos de sua figura.
"Não eram os grandes momentos públicos, mas sim os privados, os que me demonstraram que o homem que víamos em público era o mesmo que o que eu via em particular", argumentou.
EFE, Marcel Gascón


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sábado, 12 de agosto de 2017

The Doors comemora 50 anos de "Light My Fire" com single digital

EFE/MORELL.

A Warner Music anunciou que lançará nesta sexta-feira um single digital com três versões de "Light My Fire", do The Doors, para comemorar os 50 anos do lançamento de um dos grandes hinos do rock.
A música, segundo single do disco de estreia do grupo, alcançou o número um nas paradas dos Estados Unidos em 29 de julho de 1967 e agora chega aos fãs em três versões: mono, estéreo e a gravada ao vivo em Nova York em janeiro de 1970, informou a Warner em um comunicado nesta quarta-feira.
Além disso, em 4 de agosto será lançada, em edição limitada de 7.500 cópias, uma reprodução do single "7"", publicado no Japão em 1967, com a réplica da capa original em japonês e "Ligth My Fire" no Lado A e a versão de estúdio de "The Crystal Ship" no Lado B.
Os fãs do grupo lançaram a hashtag "#lightmyfire" nas redes sociais para lembrar o aniversário do hit, indica o comunicado, que acrescenta que a música tem mais de 45 milhões de reproduções no Spotify.
O The Doors comemora este ano seu 50º aniversário com a publicação de novos "artefatos sonoros que reivindicam seu enorme legado na história do rock", entre eles a coletânea "The Singles", que será lançada no dia 15 de setembro e reúne pela primeira vez todos os singles da banda.

EFE

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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Rio recebe Festival de Cinema da Nova Zelândia


Desde ontem (10), o Rio de Janeiro recebe, pela primeira vez, o Festival de Cinema da Nova Zelândia. Depois de passar por São Paulo, o evento, gratuito, conta com nove filmes longa-metragem de diferentes gêneros cinematográficos premiados internacionalmente. A exibição será no Espaço Itaú de Cinema, em Botafogo, na zona sul do Rio.
O primeiro Festival de Cinema da Nova Zelândia na América Latina será apresentado também na Argentina, no Paraguai, Chile, México, em Cuba e na Colômbia. De acordo com o cônsul-geral da Nova Zelândia, Nick Swallow, o cinema é uma ótima forma de apresentar a cultura do país e o intuito do projeto é aproximar e aumentar a interação entre os países, principalmente o Brasil, por meio de coproduções audiovisuais.
“Sabemos que há crescente interesse no Brasil por cinema de qualidade e também por coproduções internacionais. Estamos trabalhando para que haja cada vez mais interação entre nossas indústrias [de cinema]. Nossa indústria de cinema é relativamente pequena, mas é muito inovadora, criativa e internacionalizada. Acreditamos que, juntos, os profissionais de audiovisual do Brasil e da Nova Zelândia, possam realizar produções de altíssima qualidade”, disse o cônsul-geral.
Segundo Swallow, o Brasil e a Nova Zelândia vêm estreitando relações há um tempo e por diversos motivos. “Creio que estamos nos dando conta, cada vez mais, de que somos mais próximos do que imaginamos e que temos muitos pontos culturais em comum. Estilos de vida simples e informais são, talvez, os principais deles. Acreditamos que laços pessoais e interação cultural são fundamentais para as relações de longo prazo”.
A embaixadora da Nova Zelândia, Caroline Bilkey, destaca também a semelhança entre as histórias e personagens registrados em obras audiovisuais de ambos os países. “Talvez a semelhança mais interessante entre os dois países seja o fato de que ambos acumulam grandes histórias, vividas por personagens aparentemente triviais e documentadas em obras cinematográficas. As obras que selecionamos para o festival abordam essas possibilidades. São filmes que traduzem para o cinema a força dos personagens, o impacto, as contribuições e revoluções que podem ser causadas por indivíduos”, disse a embaixadora.
Dentre os filmes que estarão à disposição do público, dois são destaque: Mahana (The Patriarch), indicado a seis prêmios no New Zealand Film and TV Awards 2017; e Mentiras Brancas (White Lies), que recebeu o prêmio de melhor direção no The WIFTS Foundation International Visionary. Ambos são baseadas nas obras do escritor Witi Ihimaera.
A lista de produções também conta com o documentário Hip Hop-eration and The Ground We Won e outros longas de ficção baseados em fatos reais: Whale Rider, Boy, The Dead Lands, The Dark Horse e Born to Dance.
O festival vai até o dia 16 de agosto e depois passará por Curitiba (17 a 23 de agosto) e Belo Horizonte (24 a 30 de agosto). Outras informações sobre o festival podem ser obtidas no site http://www.itaucinemas.com.br/pag/festival-de-cinema-da-nova-zelandia .
Por Ana Luiza Vasconcelos/Agência Brasil


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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Começa em Salvador a Festa Literária Internacional do Pelourinho


Desde ontem (9), Salvador sedia a Festa Literária Internacional do Pelourinho, a Flipelô. Na véspera do aniversário de nascimento do escritor baiano Jorge Amado, que faria 105 anos, ele será o homenageado desta primeira edição, assim como mais duas mulheres: Zélia Gattai – esposa de Amado e também escritora – e Myriam Fraga, jornalista, poeta e escritora baiana, amiga do casal, sobre o qual escreveu em suas obras. Ambas são consideradas relevantes personalidades culturais diretamente ligadas à trajetória de vida de Jorge Amado.
A abertura oficial da festa ocorreu na noite do dia 8, somente para artistas e convidados. A partir de hoje, no entanto, a programação estará aberta ao público, gratuitamente, até domingo (13). O evento comemora também os 30 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, cuja sede está localizada no Largo do Pelourinho, um dos palcos da Flipelô, que ocupará diversos espaços do Centro Histórico de Salvador. A entidade funciona com iniciativas de preservação, pesquisas e divulgação dos acervos bibliográficos e artísticos do escritor.
Ao todo, serão mais de 50 atividades culturais, incluindo mesas de debates, lançamentos de livros, oficinas literárias, saraus, apresentações teatrais, exibições de vídeos e shows musicais. Todas as apresentações ocorrerão em pelo menos nove espaços de museus, teatros, casa de artes e largos do Centro Histórico. É esperada, durante os cinco dias do evento, a presença de autores, pesquisadores, críticos, estudantes e do público em geral que se identifica com a temática da literatura e o universo das palavras.
A programação oficial pode ser consultada no site da Flipelô. Na abertura ocorreram três mesas-redondas, além de outras atividades culturais nos espaços ocupados pela festa. Nos espaços Oxum Casa de Arte, Solar do Ferrão, Casa Amarela e Terreiro de Jesus, o público poderá visitar exposições permanentes, que serão mantidas até o fim da Flipelô.
Por Sayonara Moreno, da Agência Brasil


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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

MPRJ ajuíza ação contra o grupo Afroreggae por improbidade administrativa


O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ajuizou, no último dia 31, ação civil pública contra o Grupo de Ação Social Afroreggae por improbidade administrativa. A ação foi feita por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital e atinge também a ex-secretária de Estado de Educação (Seeduc) Tereza Porto e a servidora pública Mônica Reis Marzano.
O Ministério Público também requereu a indisponibilidade dos bens dos demandados e penhora on line, no valor de R$ 2 milhões, de todas e quaisquer contas bancárias deles. A ação aponta duplicidade de plano de trabalho em convênios celebrados entre a Seeduc e o Afroreggae, em 2009, bem como a escolha direta do grupo de ação social, “com dispensa de processo seletivo entre entidades sociais que realizem atividades compatíveis com o objeto do convênio, além da ausência das atividades previstas no objeto do contrato”.
O MPRJ ressalta, no despacho, que a ex-secretária Tereza Porto assinou, em 2010, termo aditivo ao convênio com o Afroreggae, com o objetivo de remanejar dos valores direcionados ao Projeto Papo Responsa, em razão de estar sendo executado em outro convênio. Na avaliação da juíza, o fato “demonstra a falta de planejamento e zelo com o patrimônio público, evidenciado o desperdício do dinheiro público em valor equivalente a R$ 165 mil”.
Para o ministério, os planos de trabalho apresentados para o convênio e seu aditivo foram insuficientes, em razão da ausência de fixação de metas a serem atingidas, tais como o número de palestras, oficinas, a carga horária, entre outras especificações.
“A indicação somente das escolas e a quantidade de alunos a serem contemplados com o objeto do convênio não atendeu aos requisitos mínimos legais, que prevêem a necessidade de cronograma-físico e financeiro com o detalhamento de todas as atividades a serem desempenhadas e o custo unitário de cada atividade, na forma da lei”.
A avaliação que consta na ação civil pública da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital é de que o referido convênio, que tinha como objeto promover ações de inclusão social e redução da violência aos alunos da rede em áreas de risco social “gerou enriquecimento ilícito do Afroreggae”. Ações socioculturais iriam possibilitar a inclusão social de jovens em idade escolar,
No entendimento do ministério, a funcionária Mônica Reis Marzano, da Secretaria de Estado de Educação, gestora do convênio, com a função de fiscalizar os trabalhos, “apresentou prestação de contas sem comprovar o custo unitário de cada atividade executada, além de ter deixado de informar a ausência de prestação das atividades previstas no objeto do documento, contribuindo, assim, para o enriquecimento ilícito”.
Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa da Seeduc, mas até o fechamento da matéria não havia obtido retorno.
A Organização Não Governamental Afroreggae, disse, em nota, que o grupo não havia tomado ciência da ação pelo Ministério Público do Rio. "Ficamos sabendo da decisãoe acabamos de pegar o processo. Assim que avaliarmos junto com os nossos advogados, iremos nos posicionar."
Por Nielmar de Oliveira, da Agência Brasil



terça-feira, 8 de agosto de 2017

Theatro Municipal encena ópera-balé com renda para pagamento de funcionários


O Theatro Municipal do Rio de Janeiro estreia nova montagem da ópera-balé La Tragédie de Carmen, adaptação de Peter Brook e Marius Constant para a ópera Carmen, de Bizet, na próxima quarta-feira (9). Com direção de Juliana Santos e Menelick Carvalho, a montagem contará com três elencos de cantores, alguns dos quais integrantes da Academia de Ópera Bidu Sayão, além da participação especial de bailarinos do corpo de balé do teatro, coreografados por Marcelo Misalidis.
A ópera ficará em cartaz até o dia 19. No domingo (13), às 11h30, será feita uma apresentação a preços populares, com o ingresso a R$ 1.
Toda a renda das apresentações será revertida para o pagamento de salários atrasados dos funcionários do Theatro Municipal.
“Nós temos tocado o Theatro Municipal em parceria com os funcionários. O compromisso da nossa gestão é que todas as arrecadações sejam revertidas para o pagamento dos salários dos funcionários nesse momento que estamos vivendo essa crise tão grave no estado”, disse o secretário de estado de Cultura do Rio de Janeiro e presidente do Theatro Municipal, André Lazaroni.
Segundo ele,  graças a arrecadações, a secretaria pôde pagar o salário de maio dos empregados do Theatro Municipal e é com a receita do próximo espetáculo que pretende pagar “em breve” o salário de junho. A renda resultante do aluguel do teatro para eventos e shows tem a mesma destinação, disse.
Prata da casa
André Lazaroni informou que tem conseguido reduzir os custos do Theatro Municipal valorizando “a prata da casa”.
“Temos conseguido reduzir muito os custos da ópera, do balé, trabalhando junto com os funcionários, utilizando cenários passados que já tínhamos na nossa central técnica de produções. Com isso, temos conseguido fazer caixa. Mas a maior parte da receita vem de aluguéis para shows e eventos no Theatro Municipal, que têm sido reservados para o pagamento dos funcionários”.
Em relação ao décimo terceiro salário de 2016, o secretário admitiu que só deverá ser pago quando for viabilizado o socorro financeiro da União ao governo fluminense.
Em sua gestão como presidente do Theatro Municipal, André Lazaroni quer fazer com que a sociedade crie um “sentimento de pertencimento” pelo teatro. “A sociedade ainda não se sente proprietária do teatro. Existe uma pequena camada que sabe que o Theatro Municipal é do estado, pertence à população. A gente quer popularizar, dar acesso à população”.
Segundo Lazaroni, popularizar é gerar público para o Theatro Municipal e fazer com que toda a sociedade tenha oportunidade de comprar ingresso e frequentar o espaço. Com ingressos a R$ 1, a ópera-balé Carmen dá oportunidade às pessoas, que não têm condição de comprar ingresso a preços normais, de ter acesso ao equipamento. “Essa é a marca da nossa instituição”, garantiu Lazaroni.
Versão
A versão da ópera Carmen, de Bizet, que o Theatro Municipal apresenta nos dias 9, 10, 12, 17 e 18 de agosto, às 20h; no dia 19, às 20h30; e no dia 13, às 11h30, é inédita na cidade do Rio de Janeiro.
Ao mesmo tempo em que traz todas as melodias e cenas mais famosas da obra original, La Tragédie de Carmen concentra a ação nos quatro protagonistas em um espetáculo de pouco mais de uma hora de duração.
A maestrina Priscila Bomfim, que dividirá a regência e a direção musical do espetáculo com o maestro Jésus Figueiredo, disse à Agência Brasil que uma das características da montagem é que a música original de Bizet foi adaptada “de forma genial, sem perder a qualidade sonora” por Marius Constant para um conjunto de 15 músicos da orquestra do próprio teatro, que serão solistas.
“Isso dá uma importância muito grande a cada músico da orquestra porque cada um deles se torna um solista que ajuda a contar a história de cada personagem”.
A trama foi reduzida por Constant com o intuito de fazer com que o público “fique totalmente ligado”  do início ao fim da ópera. “Ele simplifica a trama original, deixando o que tem de mais intenso na música, e extrai dali toda a essência, esse drama, e faz essa ópera concisa da Carmen”.
O espetáculo apresenta também bailarinos solistas do corpo artístico do teatro. “Nossa intenção é usar todos os corpos artísticos da casa”, disse a maestrina. “Nós estamos envolvendo não só a orquestra, mas alguns cantores da casa, alguns bailarinos, para que o teatro seja representado pelos seus três corpos artísticos. Por isso chamamos ópera-balé”.
Alguns cantores são oriundos da Academia de Ópera Bidu Sayão, pertencente ao Theatro Municipal e criada no final de 2015, que é dedicada à formação de jovens solistas. O objetivo da academia é inserir os jovens solistas no ambiente profissional. Alguns deles estão fazendo sua estreia nessa montagem.
Carmen
A ópera original Carmen, de Bizet, fez sua estreia no 'L'Opéra-Comique', em Paris, em 1875, e gerou muitas controvérsias, porque a plateia, acostumada com obras que tratavam de assuntos nobres, ficou chocada com a história que abordava a vida de soldados criminosos e tinha como personagem principal uma cigana sem qualquer moral.
A aclamação popular só aconteceu em outubro daquele ano, quando a ópera foi encenada em Viena, Áustria. Foi apresentada no Brasil pela primeira vez em 1881, no Teatro D. Pedro II do Rio de Janeiro. No dia 6 de setembro de 1913, ocorreu a primeira apresentação da ópera no Theatro Municipal, cantada no idioma italiano.
Em 1983, o diretor cênico, Peter Brook, em colaboração com o escritor Jean-Claude Carrière e o compositor Marius Constant, apresentou, em Paris, sua adaptação de Carmen, denominada La Tragédie de Carmen, com duração de apenas 90 minutos, eliminando muitos personagens para concentrar a ação nos quatro personagens principais.
Por Alana Gandra, da Agência Brasil

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O livro com a peça teatral Irena Sendler, minha Irena:


A história registra as ações de um grande herói, o espião e membro do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, Oskar Schindler, que salvou cerca de 1.200 judeus durante o genocídio perpetrado pelos nazistas. O industrial alemão empregava os judeus em suas fábricas de esmaltes e munições, localizadas na Polónia e na, então, Tchecoslováquia.   

Irena Sendler, utilizando-se, tão somente, de sua posição profissional – assistente social do Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia – e se valendo de muita coragem, criatividade e altruísmo, conseguiu salvar mais de 2.500 crianças judias.

"O Anjo do Gueto de Varsóvia", como ficou conhecida Irena Sendlerowa, conseguiu salvar milhares de vidas ao convencer famílias cristãs polonesas a esconder, abrigando em seus lares, os pequeninos cujo pecado capital – sob a ótica do führer – consistia em serem filhos de pais judeus.

Período: 2ª Guerra Mundial, Polônia ocupada pela Alemanha nazista. A ideologia de extrema-direita que sistematizou o racismo científico e levou o antissemitismo ao extremo com a Solução Final, implementava a eliminação dos judeus do continente europeu.

A guerra desencadeada pelos nazistas – a maior deflagração do planeta – mobilizou 100 milhões de militares, provocando a maior carnificina já experimentada pela humanidade, entre 50 e 70 milhões de mortes, incluindo a barbárie absoluta, o Holocausto, o genocídio, o assassinato em massa de 6 milhões de judeus.

Este é o contexto que inspirou o autor a escrever a peça teatral “Irena Sendler, minha Irena”.

Para dar sustentação à trama dramática, Antônio Carlos mergulhou fundo na pesquisa histórica, promovendo a vasta investigação que conferiu à peça um realismo que inquieta, suscitando reflexões sobre as razões que levam o homem a entranhar tão exageradamente no infesto, no sinistro, no maléfico. Por outro lado, como se desanuviando o anverso da mesma moeda, destaca personagens da vida real como Irena Sendler, seres que, mesmo diante das adversidades, da brutalidade mais atroz, invariavelmente optam pelo altruísmo, pela caridade, pela luz.

É quando o autor interage a realidade à ficção que desponta o rico e insólito universo com personagens intensos – de complexa construção psicológica - maquinações ardilosas, intrigas e conspirações maquiavélicas, complôs e subterfúgios delineados para brindar o leitor – não com a catarse, o êxtase, o enlevo – e sim com a reflexão crítica e a oxigenação do pensamento.
Dividida em oito atos, a peça traz à tona o processo de desumanização construído pelas diferentes correntes políticas. Sob o regime nazista, Irena Sandler foi presa e torturada – só não executada porque conseguiu fugir. O término da guerra, em 1945, que deveria levar à liberdade, lancinou o “Anjo do Gueto” com novas violências, novas intolerâncias, novas repressões. Um novo autoritarismo dominava a Polônia e o leste Europeu. Tão obscuro e cruel quanto o de Hitler, Heydrich, Goebbels, Hess e Menguele, surgia o sistema que prometia a sociedade igualitária, sem classes sociais, assentada na propriedade comum dos meios de produção. Como a fascista, a ditadura comunista, também, planejava erigir o novo homem, o novo mundo. Além de continuar perseguindo Irena, apagou-a dos livros e da historiografia oficial, situação que só cessaria com o debacle do império vermelho e a ascensão da democracia, na Polônia, em 1989.


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